A telha

É fácil escrever quando se tem um propósito. Difícil é sentar na frente do computador com o coração aberto e escrever o que der na telha. É fácil falar sobre músicas, filmes e seriados. É mais fácil olhar para fora do que encarar verdades obscuras que surgem de dentro.

A verdade é que não tenho sido sincera com quem lê estes textos: a descrição deste espaço não passa de uma desculpa esfarrapada para falar de tudo, menos de mim, mas mesmo assim de mim. Porque estou em cada pixel, em cada letrinha. Em cada álbum que resenho e filme que recomendo, mas ao mesmo tempo não sou eu. Este poderia ser mais um piti blogueiro, mas parece diferente. Eu me sinto diferente.

Sinto falta de escrever sobre o nada, ao mesmo tempo em que bate um medo daquelas postagens sem pé nem cabeça serem lidas por alguém. Qualquer alguém. Em especial, por mim. Sou minha melhor amiga, minha maior motivação e ao mesmo tempo a crítica mais ferrenha que terei de encarar.  Eu sei exatamente onde coloco a barrinha que tenho que ultrapassar, e apesar da miopia, vejo exatamente quando passo a qualquer distância abaixo dela.

Apesar da vontade louca de retomar velhos hábitos, sou travada pela minha autocrítica. Por aquilo que acho que é ou não bom o suficiente ou pelo  que acho que deveria ser.

Sei que ter critério faz bem – só eu sei do que já me livrei graças a ele – mas também sei que critério demais só nos priva de todas aquelas portas e janelas abertas. É muito sol em uma, muito vento na outra e muita poeira entrando, e aí simplesmente fechamos tudo e ficamos lá no cantinho do cômodo em posição fetal, com medo de sujar o chão e nos esquecemos de curtir o espaço.

Meu ponto é, não sei ainda o que pretendo fazer por aqui. Não tenho um plano para este blog, mas sei que ele definitivamente merece mais que ser apenas um salão branco vazio, escuro e com temperatura ambiente, sem um grão de poeira.

Até pensei em deixar meus posts mais existenciais (se é que ainda consigo escrever alguma coisa nessa linha) no meu outro blog, mas acho que nem se aplica.

Chega de pensar. Blog é diversão, e quem é que se preocupa com critério para se divertir? As pessoas simplesmente se divertem.

Dane-se o critério. Pelo menos por aqui.

Vai um filminho? Jovens Adultos

Todo mundo envelhece, mas nem todos amadurecem.

Neste filme, Mavis (interpretada por Charlize Theron) é uma escritora de ficção, de uma série de sucesso destinada para o público de jovens adultos. Depois de seu divórcio, ela volta para sua cidade natal para reconquistar Buddy, seu namoradinho da época do colégio. Só que agora o cara está casado e com uma filhinha recém-nascida, mas isso não parece impedir Mavis. O mais legal da protagonista é que ela claramente não cresceu e continua levando uma vidinha típica de adolescente, vendo realities com as Kardashian, ouvindo fitas k7 com as músicas da sua era dourada e enchendo a cara de álcool. Também vemos o quanto ela é imatura pelo jeito que ela trata seu cãozinho de estimação (Dolce ♥) e até pelo jeito que ela trata as pessoas. É engraçado, mas ao mesmo tempo consegue ser bem obscuro.

Charlize está sensacional no filme, e dá vontade de ver tudo de novo e de novo, e provavelmente morrerei de rir das mesmas cenas. A viagem dela coincide com a época em que ela deveria encerrar a série, escrevendo o último livro. Até antes da viagem, ela tinha o que chamamos de bloqueio de escritor. E conforme as coisas vão se desenrolando, ela consegue enxergar sua vida com um pouquinho mais de clareza e relacionar isso com a história, mas nada que algumas doses de álcool não embacem tudo de novo.

O filme deixa bem claro que ela tem ~probleminhas~ e que definitivamente não desapegou da adolescência, já que aos trinta e sete anos ela ainda pensa em manipular os outros só para reconquistar o ex, e daí se ele acabou de ser pai e tem uma família agora? Pff, pretexto. O mais engraçado é que ela acha que tudo que o cara fala só significa uma coisa: “minha vida está um lixo e quero largar minha família para ficar com você”, pois é, ela é assim bem lelé da cuca.

“Jovens Adultos” foi escrito por Diablo Cody (Juno), e basicamente conta a história de uma Regina George pós colegial, como o pessoal do Filmes e Pizza definiu. É um filme engraçado, mas ao mesmo tempo toca em pontos obscuros o tempo todo e isso equilibra um pouco a comédia. Não é uma história super levinha e I got a pocket got a pocketful of sunshine como as que costumo recomendar por aqui, mas com certeza vale a pena ver! Nem que seja para refletir um pouco sobre a vida e seus planos etc. E como meu lado “nasci na época errada” sempre fala mais alto, também vale muito a pena ficar de olho na trilha sonora, que é um espetáculo!

Jovens Adultos está em cartaz nos cinemas tupiniquins, só dar um google para ver salas e horários. O hotsite é www.jovensadultosofilme.com.br